Onde fica e o que ela carrega
A Placa Africana abrange a maior parte do continente africano a oeste do Rifte da África Oriental, a metade leste do fundo oceânico do Atlântico central e sul e o fundo do Mediterrâneo oriental. O PB2002 a chama de Placa da África. Quando a Placa Somali é separada a leste, muitos geólogos chamam o bloco ocidental restante de Placa Núbia.
Quase toda a Argélia, o Egito, a Nigéria, o Marrocos e a República Democrática do Congo ficam sobre ela. Cerca de 71% da África do Sul está nesta placa, e a Etiópia é cortada quase ao meio pelo rifte. A placa também carrega arquipélagos do Atlântico como as Ilhas Canárias e Cabo Verde, e sua borda norte inclui a Sicília, Malta e a maior parte de Israel.
O que acontece em suas bordas
Dorsais de expansão formam a maior parte do limite. A oeste, a Dorsal Mesoatlântica separa a África da Placa Sul-Americana a cerca de 3,2 cm/ano. Esse é o limite mais longo da placa, com quase 15.000 km. Mais ao norte, a mesma dorsal a separa da Placa Norte-Americana a cerca de 2,3 cm/ano. No extremo sul, o trecho ocidental da Dorsal do Sudoeste da Índia a afasta da Placa Antártica a cerca de 1,4 cm/ano, uma das taxas de expansão mais lentas da Terra.
A leste, o Rifte da África Oriental separa o continente da Placa Somali a apenas 0,3 cm/ano em média. O rifte do Mar Vermelho e a Falha Transformante do Mar Morto formam o limite com a Placa Arábica, onde o movimento relativo é de cerca de 1,4 cm/ano.
A borda norte é a única parte em que placas se aproximam. A África converge com a Placa Euro-Asiática a cerca de 0,5 cm/ano por meio de uma mistura de zonas de colisão, zonas de subducção curtas e falhas transformantes que vão dos Açores ao Mediterrâneo ocidental e central. No leste, o fundo oceânico africano afunda na Fossa Helênica sob a Placa do Mar Egeu a cerca de 3,8 cm/ano e sob a Placa da Anatólia ao longo do Arco de Chipre a cerca de 1,4 cm/ano.
Como a placa tomou forma
A África ficava perto do centro do supercontinente Pangeia. O Atlântico central começou a se abrir no Jurássico, quando a América do Norte se afastou do noroeste da África, e o Atlântico Sul se abriu no Cretáceo, com a separação da América do Sul. O encaixe entre o litoral do Brasil e o da África Ocidental foi uma das primeiras pistas da deriva continental. No lado leste, Madagascar e a Índia se desprenderam quando o supercontinente meridional Gondwana se fragmentou.
Como suas únicas zonas de subducção são curtas e ficam no Mediterrâneo, a Placa Africana não tem a forte tração de placa que impulsiona placas rápidas como a do Pacífico. Ela se move devagar, e seu interior contém parte da crosta continental mais antiga e estável da Terra, incluindo os crátons de Kaapvaal e do Congo.
Terremotos e vulcões
A placa registrou 38 terremotos de magnitude 6,5 ou mais desde 1900, e nenhum chegou à magnitude 8. O maior, um M7.9 em 1975, atingiu a zona de fratura Açores-Gibraltar em pleno Atlântico. Um M7.8 ocorreu em 1969 a cerca de 188 km a sudoeste de Sagres, em Portugal, na mesma região marítima do grande terremoto de Lisboa de 1755. Em terra, o mais forte foi o terremoto de El Asnam de 1980 (M7.3), perto de Chlef, na Argélia, e um M7.1 atingiu o norte de Juba, no Sudão do Sul, em 1990. A parte central da Dorsal Mesoatlântica produziu eventos pouco acima de M7 em 1918, 1942 e 1984.
Os dados listam 62 vulcões na placa. O Nyiragongo e o Nyamulagira, nos Montes Virunga, na RDC, ficam no ramo ocidental do rifte e estão entre os mais ativos da África; a lava do Nyiragongo chegou à cidade de Goma em 2002 e 2021. Na região de Afar, na Etiópia, Dallol, Alu-Dalafilla, Manda Hararo e Dabbahu marcam a área onde as placas Africana, Somali e Arábica se afastam umas das outras. As ilhas de ponto quente do Atlântico também são ativas: La Palma entrou em erupção em 2021, e o Fogo, em Cabo Verde, em 2014. O Monte Etna, na Sicília, um dos vulcões mais ativos do mundo, também fica do lado africano do limite no PB2002.